segunda-feira, 23 de maio de 2011

Comentários de Mulher - Aniversário de um ano

Em maio de 2010 um encontro e uma longa conversa sobre a necessidade de se falar às mulheres e proporcionar-lhes um espaço em que pudessem colocar suas idéias e discutir questões da alma gerou um pequeno embrião que, em 20 de junho nasceria, com nossa primeira postagem, um convite:

Engatinhando, tateávamos esse universo feminino, desejando muito abordar questões cruciais e conseguir o envolvimento de leitoras. Queríamos que elas repensassem verdades estabelecidas, mergulhassem fundo em seus questionamentos, refletissem sobre sua vida, suas perspectivas, suas crenças e, enfim, se aproximassem mais de si mesmas e vislumbrassem a possibilidade de uma vida mais plena.

Titubeando temerosa, em relação ao peso dessa responsabilidade, certo dia, meio que de surpresa, me deparo com uma segunda postagem, da Suely, um vídeo sobre a circuncisão feminina. Começava aí um movimento de provocação por parte dela, sempre antenada com o que acontece no mundo, e reação da minha parte, sempre profundamente mexida com os temas que me propunha. Vendo esse primeiro vídeo, me emocionei, comentei, e perdi o medo de expor meus pensamentos e sentimentos sobre o universo feminino e mesmo sobre o mundo e a vida de todos nós. Afinal, nossa intenção nunca foi a de sermos donas da verdade, mas a de trazermos à tona assuntos relevantes, que na correria do dia-a-dia e sob a pressão de um mundo que cobra resultados, ficam em eterna hibernação.

Ao longo desse ano nos deparamos com todo tipo de dificuldades. A primeira delas: sermos mulheres. Como bons exemplares da espécie, temos inúmeros papéis a cumprir, um desejo de sempre fazer da melhor forma possível aquilo a que nos propomos, e uma convicção de que não podemos faltar àqueles que contam conosco. Isso faz com que dias de 24 horas sejam incrivelmente curtos. Mas seguimos, porque nos apaixonamos pelo blog e por aquilo que poderíamos realizar através dele. O fato das postagens não serem tão frequentes quanto gostaríamos não nos preocupou muito, porque não pretendíamos mesmo fazer um trabalho para consumo rápido. As postagens são feitas com tanto carinho e abordam temas tão relevantes que merecem, sim, ser lidas e relidas e comentadas e maceradas dentro de nós e dos leitores.

Hoje, um ano depois, já temos algo a comentar.
Falar do que é bonito sempre provoca reações positivas, mas quando tocamos em feridas abertas, podemos afastar aqueles cuja resistência à dor é pequena. É preciso muito tato quando se escreve sobre o que não é tão bonito em nossas vidas. Mas sempre vale muito a pena.

Com tão pouco tempo de blog, já fomos perseguidas e houve até quem nos clonasse! Também houve quem, para concordar conosco ou refutar algumas idéias que aqui colocamos se desse ao trabalho de escrever textos elaborados, comentando os nossos. Extremamente gratificante a constatação de que, em alguns momentos, conseguimos gerar sérias reflexões e motivar pessoas a escreverem as suas próprias.

Não foi simples como imaginávamos conseguir comentários femininos. Por algum motivo, os homens se interessaram mais em ler e comentar do que as próprias mulheres.

Muitas vezes, enquanto homens se envolviam e comentavam enfaticamente, mulheres deixavam um pequenino “curti” nos links que jogávamos no mural do Facebook. O que nos fez pensar o tempo todo nisso, tentando entender o porquê dessa reação sempre tão mais comedida por parte do público feminino. Há mil especulações possíveis sobre isso. Uma das explicações que nos ocorre é a de que, talvez, Clarissa Pinkola Estés tenha mesmo razão ao afirmar que mulheres são treinadas, desde que nascem, a não ver, não ouvir, não falar, não ter insight. Sem dúvida, talvez até por um cuidado em relação à autoexposição, elas se mostram muito mais timidamente. E nos perguntamos por que, em 2011, as mulheres ainda se sentem tão mais vulneráveis à opinião alheia do que os homens.

Várias vezes escrevemos sobre o Barba Azul, nosso predador interno, e a questão da negação da realidade. Incomodamos. E nesse momento, quando revemos tudo o que postamos e as reações dos leitores, concluímos que o Barba Azul estará sempre presente em nossas postagens, porque, realmente, precisa ser adestrado. É graças a ele que uma grande parte das mulheres se cala, não apenas em seus comentários no blog, mas na vida.

Às vezes um trabalho parece ser ainda muito pequeno, mas provoca movimentos tão bonitos que nos emocionam profundamente. Escrever é sempre muito gratificante.

Há pouco tempo, uma postagem minha sobre as dificuldades que mulheres em torno dos cinquenta enfrentam motivou um amoroso comentário de um rapaz cuja mãe conheço. A mãe leu o comentário do filho e se deu conta do quanto ele a ama. Mais tarde, me escreveu, dizendo que havia chorado. Aquilo que sempre esperara escutar pessoalmente foi dito através de um comentário no blog. Isso, com certeza, os aproximou. Chorei ao ler o e-mail da mãe.

Enfim, valeu. Continuemos... ;)

Ana Lúcia Sorrentino

terça-feira, 15 de março de 2011

Mudanças

Essa semana me mudei. E mudei. E percebi como uma mudança de endereço promove mudanças bem mais importantes do que a do próprio endereço.

Em meio a mil problemas técnicos, um caos de caixas espalhadas pelos cantos, peças de roupas e carregadores de celulares perdidos, me encontro. Passo de um quarto ao outro colocando alguma ordem no caos estabelecido e me pego sorrindo cada vez que olho por uma das sacadas do meu novo lar. Tudo verde lá fora.
O novo horizonte é a metáfora perfeita do que espero da vida: beleza.

Nos últimos dias meu cérebro deve ter produzido mais novas sinapses do que em todo o último ano. No meu novo apê quase tudo está invertido. Procuro à direita o que acabo encontrando à esquerda. Estou tendo que reposicionar tudo. Dentro e fora de mim.

A mudança exigiu revisão geral: o que uso, o que não uso, o que guardava só por apego, o que não me serve mais... e que estilo de vida quero ter a partir de agora. O novo espaço me obriga a repensar tudo. E isso, nesse momento, me cai como uma luva. Inicia-se uma fase em que serei mais profissional do que dona-de-casa, e já não era sem tempo. Dois filhos criados e uma enorme vontade de me jogar no mundo aliam-se a um desejo que tenho desde sempre de brincar com a liberdade.

E então, curtindo cada novo vizinho que me dá as boas vindas, cada funcionário que se mostra atencioso, cada nova rota que testo, andando por ruas que não conhecia pra ir aos lugares que já frequentava, vejo como é saudável mudar!

Essa semana foi toda especial. Além da casa nova, comecei um novo trabalho, e a faculdade. A primeira aula de Introdução à Filosofia me fez voltar pra casa com uma agradável sensação de que acertei na escolha do curso.
E, me comparando à menina que aos dezessete anos entrou na Faculdade de Letras e aos dezenove casou, totalmente desavisada, me senti numa vantagem tão grande, que a vislumbrei tendo inveja de mim! Rsrs...

Mas... o que quero deixar em você, contando tudo isso?
Quero deixar um estímulo. Uma palavra de coragem. Uma vontade de ousar.

Muitas mulheres passam a juventude temendo o envelhecer. A proximidade dos cinquenta, o estigma do meio século de vida trazendo malfadadas rugas, banhinhas a mais, excesso de maciez... rsrs... faz com que se instale uma neurose e se canaliza tempo demais brigando contra aquilo que será inevitável. E o bom da coisa, que é o estar mais segura, menos medrosa, o ter menos a perder, que nos empresta um ar novamente jovial, mas agora mais tranquilo, parece ter menor valor.

Se estou hoje me presenteando com novidades, foi porque tive o desprendimento de abrir as mãos e largar uma segurança que não me fazia mais feliz. Mãos livres, pude agarrar as oportunidades que me surgiram e que emprestam, a mim e à minha vida, novas cores. Mais colorida, hoje desperto muito mais a admiração alheia do que quando menina.
Talvez seja porque a beleza, mais do que em formas perfeitas, está no brilho do olhar, no viço da pele, na luz do sorriso de quem se atreve a ser feliz. :)


Publicado na coluna Mulher do Guia da Semana em 16/02/2011:
http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Mulher/Noticia/Mudancas.aspx?ID=72814


Analú



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Entrevista com Lya Luft

A escritora fala sobre o novo livro, "Múltipla escolha", a importância de seus casamentos e da família, o sucesso inesperado de "Perdas e ganhos" e aconselha o domínio da língua e a humildade para quem quer ser escritor.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lygia Fagundes Telles

"A beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da noite,
está no crepúsculo, nesse meio tom, nessa incerteza".

(Lygia Fagundes Telles)