sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Héstia

Uma presença indispensável para compensar a agitada vida moderna é Héstia, a deusa grega da lareira e do fogo central das casas. Héstia não é encontrada em imagens, mitos ou histórias, mas nos tempos antigos presidia muitos rituais. Em Roma, as vestais eram as virgens dedicadas a ela: cuidavam do fogo sagrado da cidade e eram severamente punidas se violassem a castidade. Héstia representa o circulo, o centro, a espiritualidade da mulher, o calor e a proteção do lar, o espaço da alma, o lugar de retorno.


Figura anônima, reservada, silenciosa e introvertida, encontramos Héstia na execução das tarefas domésticas, na meditação e na solidão. Ficou desprestigiada a partir do movimento feminista, pois representava um modelo do qual as mulheres necessitavam se distanciar no momento em que conquistavam o mundo fora das paredes do lar e outros arquétipos femininos estavam em ascensão. 


Hoje em dia cada vez mais mulheres guerreiras já maduras, ao deporem suas armas, almejam essa deusa em suas vidas. Héstia traz o tempo sem pressa, não do relógio cronológico, mas o da calma interiorização e da energia apaziguadora, mantendo o centro da alma puro e intocado das solicitações e aceleração do mundo externo atual. 

Podemos acessá-la na arrumação de um armário, ao lavar louça, tecendo ou cerzindo, afazeres repetitivos que levam a um devaneio quase meditativo. Também está presente na contemplação de uma acolhedora lareira, na prática de Ioga ou na sensação de aconchego e repouso quando voltamos para casa depois de um dia inteiro fora. Sem Héstia nos perdemos de nós; precisamos dela para regressar ao lar da alma.



Escrito por Silvana Parisi

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A deusa menina



Coré (ou Perséfone), a puella,é a eterna menina no panteão dos deuses gregos. Filha de Deméter,  colhe flores no jardim... mas a imagem de inocência  é interrompida ao ser raptada pelo deus Hades, o senhor do mundo dos mortos. Lá, no mundo inferior, a menina se transforma em mulher, rainha dos mortos, não mais Coré, não mais puella, agora é a soberana do sombrio reino dos mortos.





Mas uma parte do ano, Perséfone retorna à terra, é quando se faz primavera, e sua mãe, feliz abençoa os campos que florescem. Todo ano o ciclo se repete, e Perséfone transita entre os dois mundos: o superior e o inferior. Imagem da mulher capaz de circular entre o mundo real e o imaginário: intuitiva, sensível  médium  curadora, terapeuta. Sabe dos mistérios. Sabe da vida e da morte, da alegria e do sofrimento.


Mas a imagem da menina me captura hoje, Coré, inocente que brinca com as outras crianças.

Silvana Parisi

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

EU SOU




Se soubéssemos o quanto é sério, profundo e complexo o Eu Sou, nós o olharíamos com mais atenção, carinho e respeito!

Eu Sou passa a existir no dia em que somos gerados, por um pai e uma mãe, e depois de nove meses, ele chega em seu novo lar, aqui no planeta Terra.

Nasceu o Eu Sou, uma criança, que recebe um nome que vai identifica-la por uma vida inteira, até a sua morte, e eu aqui a denominei Maria.

A primeira comunicação da criança é através do choro, gestos, até pronunciar suas primeiras palavras. 
Quando ela pronuncia pela primeira vez EU QUERO e EU SOU, ocorre a descoberta de seu próprio corpo, e ela então, toma consciência de sua existência na Terra.

Maria agora sabe que tem uma família, pais, irmãos e demais parentes, e que também tem uma personalidade, com vontades e seus próprios quereres.

Aos poucos, ela vai ficar sabendo, que suas vontades e quereres próprios, nem sempre prevalecerão, vão ser enquadrados dentro de padrões de comportamento moral, religioso, cultural, padrão de disciplina de educação que sua família e a sociedade lhe imporá.

Certamente Maria, muitas vezes, vai se rebelar e ceder, mas também vai se rebelar e brigar pela sua forma de pensar.

E junto a todas as informações que Maria receberá em seus primeiros anos de vida, surge uma, que é a mais definitiva delas – Você tem que ser boazinha, e sempre servir os outros, só pessoas assim vão ser queridas e respeitadas por todos.

Pronto, Maria recebeu sua sentença, por mais que ela queira fugir ela não vai conseguir se esconder, porque todas as demais pessoas de seu convívio sofrem do mesmo mal.

E como ela é muito pequena, não percebe ainda que, o que ela trouxe na bagagem, suas memórias, que serão acrescidas aos fatos vividos agora como Maria, podem se perder se ela não ficar atenta.

Maria começa a ficar dividida entre sua bagagem de vida trazida ao nascer e os outros ensinamentos que está recebendo à medida que vai crescendo.

Acredito que a grande maioria das crianças não chegou a pronunciar EU QUERO e EU SOU, e passam um bom tempo da vida, se não uma vida inteira, procurando por elas mesmas, pelo seu Eu Sou, seu Eu Original, do jeito que chegou ao nascer.

Não devemos esquecer jamais, e pensar nisso sempre. EU SOU o que EU SOU, e não aquilo que gostaria de ser. Corremos o risco de passar uma vida inteira buscando aquilo que não sou, e esquecer nosso propósito de vida!

Mas o tempo todo de nossa existência, outro lado se contrapõe a esse, um lado positivo e benfeitor, que nos ajuda a discernir e definir parâmetros e que não deixam nossas memórias caírem no esquecimento.
Em algum momento retomamos a nossa consciência, e, aos poucos reunimos novamente, todos aqueles pedaços que ficaram à margem da estrada.

Cabe a nós, cuidarmos e curarmos cada um, e estando de posse deles, estamos de posse mais uma vez de nosso Eu Sou, de posse de nossa vida, de posse de nós mesmos.

Aí sim, Maria poderá entrar na carruagem, pegar as rédeas de sua vida, e conduzi-la conforme suas escolhas!


Carmen Quartin

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Eu, pura aporia



Creio piamente
que nada é por acaso
e que tudo é contingente.
Divido-me o tempo todo
entre não acreditar em nada
e acreditar o tempo todo em tudo.
Zombo da existência de Deus
e lhe peço, em oração,
que me devolva a fé.
Esquerda e direita
me parecem igualmente
sedutoras e perigosas.
Estanco na esquina,
convictamente equivocada.
Noite e dia
em pacífica desordem
habitam em mim,
e constituem o que sou:
pura aporia.

Analú

Postado por Ana Lucia Sorrentino no Reencontrando sua alma  em  9/04/2012 09:52:00 PM

domingo, 3 de junho de 2012

ECLIPSE LUNAR – TRÂNSITO DE VÊNUS – 4 E 5 DE JUNHO


Um par de eventos celestiais raros ocorrerá nesta semana. O Eclipse Lunar em Sagitário será na segunda-feira, 4 de junho às 4 da manhã. Ele está diretamente relacionado com o Eclipse Solar do dia 20 de maio passado.

Esta combinação de eclipses está relacionada com a sua saúde mental, com o que você pensa, com o quanto você está aberto para novas ideias e modos de perceber as situações da sua vida. Durante este período, considere novas opções, observe o que acontece com você, ouça cuidadosamente os outros e não presuma que você sabe em que direção as coisas estão se encaminhando neste momento – algo novo e estimulante pode estar bem diante de você!
O Trânsito de Vênus – mais raro ainda! – ocorrerá na terça-feira, 5 de junho, às 6 horas da tarde (horário de verão na região do Pacífico nos EUA). Muitos sentem que esta é uma influência extremamente mística, que pode conectar sua mente com seu coração de maneiras novas e profundas. Mais uma vez, há mais ênfase em Gêmeos (está ocorrendo em Gêmeos) e na sua saúde mental e estado de espírito.
Para se sintonizar com estas energias místicas de um modo consciente durante este evento, abra a sua mente para receber a compaixão das profundezas do seu coração, e abra seu coração para receber a sabedoria da sua mente. Uma vez que elas estejam ligadas mais diretamente, você será mais capaz de seguir adiante em sua vida com sua mente e seu coração (seus pensamentos e sentimentos) em sincronia.

Por Elizabeth Jones, 2 de junho de 2012
Extraído de:
Tradução de Vera Corrêa veracorrea46@ig.com.br